quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond Andrade)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Acróstico II

Minha menina mora nas montanhas
Aonde o frio contrasta com seu calor
Rajadas de vento gélido sãojavascript:void(0)
Publicar postagem
Incapazes de provocar torpor
Ante o fogo de seu olhar
Nada conseguiria tentar se impor
A chama que me faz apaixonar

Minha vida ganhou mais sentido
E também de cores vivas se encheu
Uma grande alegria livrou o perdido

Princesa do frio
Renova-me qdo a semana findar
Enche o meu peito de calor
Serpenteie em meu pensar
Entorpeça meus sentidos
Não deixe um espaço vagar
Tome tudo o que é seu
Eu me rendo a seu cuidar

Menina Mulher, Mulher menina
Enxergo em você meu destino
Um grande prazer é ser sua sina

Faminto sou de você
Um verdadeiro glutão
Totalmente encantado
Um entregue coração
Realiza em minha vida
O encanto da paixão.

(Dedicada ao Acróstico do primeiro parágrafo e merecedora do epíteto dos demais)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Acróstico I

Muito mais do que esperava,
Apareceu-me um anjo do frio,
Reluzente como a luz da manhã.
Incendiou meu parco coração.
Atravessou meu peito como lança.
Não me perguntou nada,
Apenas me fez Feliz, e pronto.

Ponto.
Outrora silenciosos meus dias,
Zíngaros neles, hoje, fazem folia.
Zonzeando em minha cabeça,
Anunciando a boa nova:
Tem dona um ermo coração.
Trazendo à realidade quem só vivia na
Ilusão.

Dedicada ao Acróstico.

Gramatical

Veio do reino do onde
Do tempo do quando
Chegou não sei como
E me abalou quanto

Sumiram os advérbios Interrogativos
Quando me encantei com seus adjetivos
Pois, sua presença que era abstrata
Tornava-se, agora, substantiva

Agora tangível, com seus predicativos a me tocar
Dei-lhe um pronome pessoal do caso reto
Terceira pessoa singular
Hoje a vejo como artigo definido singular feminino e pontual
Que converteu-nos em pronome pessoal do caso reto
Primeira pessoa plural

Para explicá-la, somente com metáforas
Para elogiá-la, somente com hipérboles
Mesmo pleonasmos são bem-vindos
Se eu negar tudo isso, me chame paradoxal

Pois, há pouco tempo, não flexionávamos
Então, sem pensar no Pretérito Imperfeito
Hoje vivemos o tempo presente
E escrevemos um Futuro 'Mais-que-Perfeito'

O que poderia ser grande
Virou palavra superlativa sintética
Conjugar o verbo amar
Só mesmo com licença poética

Agora não existem interrogações
Nossa conversa não tem reticência casual
Vivemos, os dois, na exclamação

Wagner Kirmse Caldas
(Dedicado a minha Mariana)

sábado, 31 de maio de 2008

Ou não

Escrever pode ser arrancar espinho do pé.
Desfolhar desfiar desfazer os nós.
Escrever pode ser tentar curar.
Pode ser bordar ou tecer.
Pode ser cavar.
Escrever pode ser colocar para quarar.
Pode ser querer cuidar do que não cura.
Pode ser alívio, pode ser auxílio.
Escrever pode ser um mantra.
Ou pode ser um muro.
Pode ser um fosso.
Pode ser vazão.
Escrever pode ser certo.
Ou não.
Pode ser engano
Pode ser um dano
Um prego enferrujado, uma porta.
Uma esquina encruzilhada.
Uma porrada.
Escrever pode ser um vício.

(Viviane Mosé - Toda Palavra)

sábado, 26 de abril de 2008

Meu Jardim

No meio de um jardim
Sem aviso nem nada
Uma planta brotou
Cresceu
Onde ninguém esperava
Floresceu
Onde ninguém cultivava
Eis que se mostrou
Era uma bela Flor
Tímida se abria
Procurava a Luz
Bela, Colorida, Perfumada
Surgida do nada
Ninguém a regava
Dia após dia murchava
E ninguém percebia
Que a bela flor
Aos poucos sumia
Até que um dia se deu
Aquela bela flor, morreu
Não havia mais jeito
Poucos souberam seu nome
Que era Amor-Perfeito

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Mar e a Montanha

Um homem vivia à sombra da montanha
Um dia ele subiu a montanha e avistou o mar
Passou a admirar o azul do mar
Toda vez que a falta do mar era sentida,
Ele desafiava a montanha!
O mar foi tornando-se cada vez mais vívido
E mais vezes a ela enfrentava
Arriscando-se nas pedras e precipícios
Quando o mar se tornou essencial
Ele deixou a sombra fria da montanha
Para viver na beira do mar
Quanto tempo perdeu! - Era a verdade
Pois do mar, ele via a montanha
E da sombra, jamais teve saudade

(Wagner Kirmse Caldas)

Pensamentos

Se a loucura do mundo é poesia na pena do poeta, pego carona nas asas de pégasus pra deixar meu verso.

(Wagner Kirmse Caldas)

domingo, 9 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

Essa é minha singela contribuição
à vocês, mulheres, que dão sentido
à nossa humilde existência

São mulheres, sim
Aquelas que buscam seu espaço
Aquelas que querem a liberdade, também
Mesmo que essa liberdade
Seja vivida ao lado de alguém
São mulheres, sim
As que querem a independência
Que não querem andar atrás de seu par
Que tem plena consciência
De que é preciso estar ao lado para caminhar
São mulheres, sim
As que gostam de se maquiar
As que gostam de receber rosas
As que gastam horas para se arrumar
As que lêem poesias para rir ou chorar
São mulheres assim:
Que riem
Que lutam
Que choram
Que amam
Que fazem de nós, homens,
Meros espectadores
de sua grandeza
e de sua beleza.


(Wagner Caldas)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Epopéia

E foi uma saga
Teve gente pulando fora do barco
Antes mesmo dele ir para água
Melhor pra quem defendia seu espaço
Primeira vez em Colatina
Dava pra desistir na viagem
Como demorou pra chegar
Como demorou para fazer a prova
Como demorou pra voltar

O que é memorial?
E projeto? Qual projeto, "pelamordeDeus".
Metade das vagas preenchidas
E agora?
O que será que será?

Mais um processo seletivo
Gente que queria não passando
Gente que não sabia passou
Vai "mininu" faz a prova
O "mininu" passou
Mais gente passou ...

Entrevista!
A turma fechou
E vamos viajar
Contagem regressiva na van
Cada dia 2% concluído
Ê vida de gado

Teve gente atravessada
Teve gente emudecida ... "Responde Mininu!"
E vai professor ... Vem professor
20% já foram, ainda faltam 80%!
Meu Deus!

Enquanto outros eram convidados a sair da frente
E a chegar mais cedo, se fosse pra atrapalhar
Outras nasciam ...
Métodos de ensino "raquelianos" surgiam
Carecas reluziam
Califórnia, Gobetti e churrasquinho.
Alunos pretensamente dormiam e a professora
Com "pena", liberava mais cedo!
E vai professor ... Vem professor
40% já foram, ainda faltam 60%!
Meu Deus!

Época de Mexerica ...
Chuuuuuuuuuupa!
Ah, que cheirinho bom!
Chuchus brotavam na sala
Cabelos eram enrolados
Filmes de borboleta faziam chorar ...
Companheiros de ônibus
E os quatro companheiros de estrada
Churrasco em Ibiraçu
E vai professor ... Vem professor
60% já foram, ainda faltam 40%!
Falta pouco!

Vila Pavão, derrepente ficou perto
Gente desmaiando ...
Ensino a distância?
Com perfume até funciona!
Festa Junina ... Que legal!
E vai professor ... Vem professor
80% já foram, ainda faltam 20%!
Ta quase acabando, ufa!
É hora da história
E ninguém melhor pra contá-las
Do que Forrest Gump!
Gol Cartesiano!
Festa no ônibus!
E vai professor ... E vamos nós ...
Acabou?!?!?!
Saudade!

Wagner Kirmse Caldas

domingo, 16 de setembro de 2007

A Estrada

Escrevi esse quando era adolescente, mas gosto muito dele, por mais que seja ingênuo.


Nossa vida é como uma estrada ... tem início quando você nasce
E acaba ... será que acaba?
Faça sua vida como uma estrada trafegável,
É inevitável que existam buracos ...
Tape-os com esperança e paciência
Também haverão obstáculos
Remova-os com firmeza e cuidado
E se surgirem curvas, não derrape ...
Não ande no meio de sua estrada
Escolha a mão dos que vão
Para que não seja atropelado pelos que vem em sentido contrário.
Existirão aqueles que lhe farão críticas
Seja por sua forma de conduzir
Ou mesmo pelo seu modo de ser, pensar ou agir
Não lhes dê atenção
Fixe-se na sua estrada.
O caminho é longo e acidentado
Se encontrar alguém no acostamento necessitando ajuda, ajude
Pode ser que um dia seja você no acostamento
Se precisar de ajuda, peça
Encontrará entroncamentos no caminho
Escolha o caminho certo, e não os atalhos
Apegue-se à sua estrada ... Ame seus passos
Preste atenção nos avisos
Eles podem ser úteis
Não corra muito, aprecie a paisagem
Saiba que para onde você vai
Não é a velocidade que conta, mas sim o cuidado
Não faça "barbeiragens", você pode atrapalhar alguém
Viva e deixe viver ...seja sempre você mesmo
Você não é obrigado a mudar seu caminho
Apenas para agradar os amigos ou desconhecidos
Ande com responsabilidade
Saiba sorrir
Não dê as costas às pessoas, faça amigos
Seja bom aos outros, sem esperar nada em troca
E quando chegar ao fim da jornada verá
O quanto valeu a pena saber respeitar as leis da ESTRADA.


Wagner Kirmse Caldas-1989-Revisto em 10/2002

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Não sei ...

Não sei ...
Que direi?
Sou poeta?
Não sei a rima ...
Não sei a sílaba ...
Não sei a sina,
De quem escreve
Aquilo que sente.
Não sei ...
O que sinto?
Nem isso eu sei ...
Não sei se estou alegre.
Não sei se estou triste.
Quando rio estou alegre?
Quando choro estou triste?
Não sei ...
E se escrevo a dor ...
Isso existe?
Insiste!
Desiste.
Que direis?
Sou poeta?

(Wagner Kirmse Caldas - 12/09/07 - 0:09)

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Canção da Despedida

Terceira Fase: A Valorização do EU reencontrado!

Canção da Despedida (Leoni)


Eu saí da estrada há muito tempo atrás
Indo atrás de uma miragem que desapareceu
Só os loucos acreditam em fantasmas
Como amor eterno que alguém prometeu
Eu dei mais do que podia e isso não bastou
Mas um dia a gente acorda e a febre já passou

E hoje estou de volta à vida, Aos amigos, aos sorrisos, sob o sol
E hoje estou de volta à vida, Pra você essa canção da despedida

Dessa vez perdi o rumo e a medida
Fiquei tão fraco quanto alguém pode ficar
Nessa viagem quase cego eu te seguia
E fazia quase tudo pra agradar
Eu tentava acreditar que isso é que era amor
Eu estive tão doente e agora já passou

E hoje estou de volta à vida, Aos amigos, aos sorrisos, sob o sol
E hoje estou de volta à vida, Pra você essa canção da despedida

E eu tentava acreditar que isso é que era amor
Eu estive tão doente e agora já passou

Meu Jardim

Segunda Fase: O reencontro comigo mesmo!


Meu Jardim (Vander Lee)

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho

Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Olhos de Farol

Composição: Ronaldo Bastos - Flávio Henrique
Intérprete: Ney Matogrosso

Por que só vens de madrugada
E nunca estás por onde eu vou?
Somente em sonhos vi a luz
Da lua cheia
O canto da sereia
No breu da noite eu sei que
Reinas a me refletir
Olhos de farol
Porque tu és a lua e eu sou o sol
Porque só brilhas quando eu durmo
Sou condenado a te perder
Eu só queria ver andar na ventania
Luar do meio-dia
Na minha fantasia, ainda sou teu pierrô
E disfarço mal
A lágrima de amor no carnaval
Eu te vi em sonhos
A boiar no meu jardim
Lua de cetim entre os lençóis
E no céu sem nuvens
Podem as miragens
Se tornar reais e são dois sóis
Eu te vi rainha
Dona de nós
Imitar a voz dos rouxinóis
E no céu em chamas
Podem as miragens
Se tornar reais e são dois sóis

Contribuição: Giovanna Gomes Pereira

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

(Oswaldo Montenegro)

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Mistérios

Como estou um pouco sem tempo pra amalgamar, vou postar mais uma poesia musicada.

Mistérios

Esse olhar, sempre fitando o infinito
Envolto em misterios
Ainda tráz a emoção de um
Brilho bonito
Quantos já tentaram desvendar esse olhar
Quantos já trilharam os atalhos
Tortuosos desse coração
Eu não posso acreditar
Que a vida saiu pela porta eu eu não notei
Que o cavalo passou encilhado e eu não montei
Quando a banda passar vou jogar o meu corpo na rua
E se o povo cantar vou colar minha boca na sua
Vou sentir o cheiro do povo,
Vou sair pra vida de novo
Fazer tudo que até hoje não pude fazer
Vou vestir a minha seresta
Dividir o bolo da festa
Vou tentar salvar esse pouco que ainda resta,
Da minha juventude
Da minha juventude

Zé Geraldo

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Noites com Sol

Primeira Fase: A Constatação!


Noites Com Sol
Flávio Venturini
Composição: Márcio Vaccari

Ouvi dizer que são milagre
Noites com sol
Mas hoje eu sei não são miragem
Noites com sol
Posso entender o que diz a rosa
Ao rouxinol
Peço um amor que me conceda
Noites com sol

Onde só vem o breu
Vem me trazer o sol
Vem me trazer amor
Pode abrir a janela
Noites com o sol e neblinas
Deixa rolar nas retinas
Deixa entrar o sol

Livre será se não te prendem
Constelações
Então verá que não se vendem
Ilusões
Vem que eu estou tão só vamos fazer amor
Vem me trazer o sol
Vem me livrar do abandono
Meu coração não tem dono
Vem me aquecer nesse outono
Deixa o sol entrar

Pode abrir a janela
Noites com sol são mais belas
Certas canções são eternas
Deixa o sol entrar

Esconde-esconde

Sentimentos têm medo ...
E por ter medo não se revelam!
Brincam de esconde-esconde
Num jogo pueril ..
"escondidos atrás de outras
e outras palavras" (Koehler, 2007, apud Caldas, 2007)
Querem se revelar,
Esperando que sejam encontrados,
Sem sair do seu lugar.

Wagner - 02/07/2007

A Poesia

A poesia é muito mais que palavras,
Ela é calor,
Porque queima nossa mente
E cora nosso rosto.
Ela é fogo,
Porque incendeia o coração
E incandesce em nossos olhos.
Ela é vento,
Porque sopra no coração
E arrefece nosso rosto.
Ela é água,
Porque refresca nossa mente
E lacrimeja em nossos olhos.

Wagner (29/06/2007)